Um desafio se impõe a produtores rurais e ambientalistas no País. Como utilizar agrotóxicos em determinadas culturas, sem provocar a morte de abelhas, responsáveis pela polinização de plantas utilizadas na alimentação? O problema vem sendo estudado no Brasil há pelo menos quatro anos e foi discutido na quinta-feira (4) em audiência pública promovida pela Comissão de Meio Ambiente, a pedido do deputado Antônio Roberto (PV-MG).
Ambientalistas e especialistas do setor produtivo, do governo e da indústria de defensivos agrícolas se revezaram com diferentes abordagens sobre o tema. Representantes dos apicultores e do Ministério do Meio Ambiente relataram casos de mortalidade e apontaram como maior culpado o uso de agrotóxicos neonicotinoides. Há suspeitas de que a substância cause a morte de abelhas ou provoque lesões, como perda de olfato ou de orientação no espaço. Por outro lado, representantes da indústria de defensivos ressaltaram que a restrição ao uso de agrotóxicos pode causar perdas para a agricultura.
Antônio Roberto disse que “a intenção da Audiência Pública foi estabelecer um diálogo entre as várias frentes afetadas diretamente pela morte disseminada das abelhas, e apontar soluções a médio e longo prazo, a fim de evitar problemas macros com a população em geral”.
O encontro teve a colaboração de várias entidades que têm pesquisado o tema e apontado soluções para conter o avanço da mortandade. Durante os debates, Antônio Roberto reforçou a importância em discutir o assunto, já que afeta as plantações e a sobrevivência humana diretamente: “Se preocupar com a qualidade de vida das abelhas não é romantismo, mas uma responsabilidade com a existência humana. Não existe uma contradição entre desenvolvimento da agricultura e preservação de espécies fundamentais da fauna e da flora brasileira, como é o caso das abelhas”.
O deputado adiantou ainda que trabalhará pela rejeição, na Câmara, do projeto que permite o uso de agrotóxicos neonicotinoides que contenham os ingredientes ativos Imidacloprido, Tiametoxam, Clotianidina ou Fipronil, danosos à saúde.
Foto: Estefania Uchôa / CMADS
