Em matéria especial “Dez anos de transgênicos no Brasil” , deste domingo, 7, o jornal O Globo, destaca o crescimento, cercado de polêmica, da soja geneticamente modificada, que eleva produção e representa 88% da safra nacional; e do combate a mariposa “helicoverpa armigera”, uma praga devastadora que colocou o país em uma inédita situação de alerta fitossanitário.
Hoje o país briga com os Estados Unidos pela liderança mundial da produção do grão, com 88% de sua safra geneticamente modificada. No mesmo ritmo da produção, avançam as polêmicas. Se, por um lado, começa a inédita concorrência entre multinacionais e a Embrapa pelo mercado de sementes, cresce no país o debate sobre os efeitos colaterais das novas tecnologias.
Em trecho da matéria destaca-se os efeitos dos agrotóxicos usados no combate a mariposa “helicoverpa armigera”, o benzoato de emamectina é um veneno com alto grau tóxico para os seres humanos. O líder da bancada do PV, deputado Sarney Filho (MA), faz um alerta.
Antídoto ao inseto é muito tóxico aos seres humanos e seu uso gera polêmica
Ministério da Agricultura quer liberar a utilização do veneno
BRASÍLIA E RIO – A primeira arma comprovadamente eficiente para conter a helicoverpa armigera não foi usada na Bahia nesta safra por conta de um entrave institucional, o que acabou colaborando para a expansão da praga. O benzoato de emamectina é um veneno com alto grau tóxico para os seres humanos, por isso o seu uso não foi aprovado pelo comitê técnico de avaliação de agrotóxicos – composto pelos ministérios da Agricultura, Saúde e Meio Ambiente.
De maneira unilateral, a Agricultura assumiu a responsabilidade pelo ato e aprovou a importação do agrotóxico, que chegou ao país, mas não foi usado porque o Ministério Público da Bahia conseguiu barrá-lo na Justiça.
– O governo decidiu, mas os promotores por aqui impediram o uso – disse Celito Breta, presidente da Associação Baiana de Produtores de Algodão (Abapa). – Eles estão por fora, ouviram só parte do assunto – completou.
– É absurdo o uso de um veneno que afeta o sistema neurológico das pessoas – disse o deputado Sarney Filho (PV-MA), coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista.
Governo prepara decreto
Diante do impasse, o governo prepara um decreto para detalhar condições e prerrogativas que devem ser adotadas em casos de ameaças similares. A norma deverá ser lançada no dia 30, criando o programa nacional de Manejo Integrado de Pragas, que será detalhado em seminário sobre o tema. Ele envolve não apenas seleção de insumos, mas ações de técnica agrônoma, como rotação de culturas e regras de rodízio.
– Constatamos que precisamos melhorar a regulamentação. Até então lidamos com emergências não-agudas e não tenho dúvida de que vamos passar a ter mais situações de urgência, por conta da forma como o ambiente tem sido usado e pela introdução de espécies exóticas no país – disse o coordenador geral de avaliação de substâncias químicas do Ibama, Marcio Freitas.
– Com o manejo integrado e biofábricas para controle biológico espalhadas pelo país, é possível que essa praga esteja sob controle no período de apenas uma safra – avalia Jefferson Costa, assessor da Embrapa.
Fonte: Danilo Fariello – Jornal O Globo
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