Gabriela KorossyApesar da repulsa aos políticos nas ruas, executiva nacional acredita que a insatisfação de agora coincide com o programa dos verdes no Brasil

Expulsos das manifestações de rua, os partidos buscam agora formas de se aproximar das reivindicações e reconquistar alguma simpatia do público. Passada a Copa das Confederações e a fase de maior visibilidade dos protestos, a crença é de que há espaço para dialogar com as muitas correntes que compõem o movimento. No PV, a crença é de que há muito em comum entre o que acontece nas ruas e as bandeiras tradicionais dos verdes. De sexta-feira a domingo, a executiva do Partido Verde, com 50 integrantes, vai se reunir em Brasília para fazer uma análise da situação do país e elaborar em uma estratégia de divulgação das ideias que estão em consonância com os pedidos dos manifestantes.

Dentro do PV existe a convicção de que a sigla é capaz de ser um captador das insatisfações, e de que muitas das reclamações do brasileiro estão, há anos, contempladas no programa do PV. Durante as manifestações, a executiva se reuniu várias vezes para discutir o que acontecia no Brasil. “A constatação prévia é de que a maioria das reivindicações está no nosso programa de partido. O problema é como comunicar ao povo que já existe um partido sério que pensa dessa forma”, afirma Luiz Fernando Guida, da executiva nacional e coordenador do PV de Rio do Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia.

“A questão não é tirar proveito, é a identidade com as bandeiras”, explica Guida, citando o aumento da malha de ciclovias, o transporte público de qualidade e a defesa dos direitos dos homossexuais como exemplos de semelhanças entre o que pretende as ruas e o PV.

A julgar pelos conflitos que resultaram em internações hospitalares para os integrantes do PSTU, nos protestos no Rio de Janeiro e em São Paulo, convencer os manifestantes não é algo simples. “Comunicar isso à população será como tirar leite de pedra”, diz Guida. A forma como essa mensagem será repassada aos brasileiros é uma das estratégias na pauta do encontro no fim de semana.

Por ora, o PV esbarra em outra dificuldade. A estratégia nacional é de lançar Fernando Gabeira à presidência da República em 2014, uma figura considerada para os verdes como alguém que “ultrapassa o rótulo de político”, o que, na esteira dos protestos, parece ser uma característica eleitoralmente interessante. No nível estadual, há poucas definições. No Rio, onde Marina Silva, ex-PV, chegou em segundo lugar na disputa à presidência de 2010, ainda não existe um nome para a corrida ao governo do estado. A saída será investir em alguém da sociedade civil. O problema é que, diante da insatisfação com a classe política, ninguém quer, por enquanto, se aventurar nesse caminho.

A realidade do PV mostra que faltam nomes “limpos”, que representem as bandeiras históricas do partido (como a legalização das drogas e do aborto), e que tenham peso eleitoral. Em 2012, quando a legenda lançou a deputada estadual Aspásia Camargo à prefeitura do Rio de Janeiro e recebeu votação de apenas 1% do eleitorado, minou qualquer dúvida que poderia existir sobre a necessidade de se ter um candidato forte – ainda que a legenda acredite em sua força.

Confira o manifesto da Bancada do PV: Sou do PV e as manifestações me representam

Fonte: Cecília Ritto, Vejaonline

Foto: Gabriela Korossy / Agência Câmara