indiosSegundo relatório do Cimi, número cresceu em relação a 2011 – quando 51 indígenas foram mortos; 37 crimes foram registrados em MS

A violência, contra os povos In­dígenas aumentou entre 2011 e 2012, de acordo com relatório divulgado ontem (26) pelo Conselho Indigenista Missio­nário (Cími). O número de ín­dios assassinados 110 País pas­sou de 51 para 60 no período. Mais da metade desses casos (37) foram registrados no Es­tado de Mato Grosso do Sui, o principal foco de conflitos fundiários envolvendo produ­tores rurais e grupos indíge­nas em todo o Brasil

O relatório, divulgado na se­de da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília, aponta um cresci­mento generalizado das dife­rentes formas de violência pes­quisadas, que vão ameaças de morte à falta de assistência em saúde e educação. Os casos classificados no relatório co­mo violência contra o patrimô­nio, que envolvem invasões e exploração irregular de terras indígenas, passaram de 99 para 125, o que representa um au­mento de 26%.

O número de vítimas na cate­goria denominada violência contra a pessoa foi o que mais cresceu, com uma variação de 237%. Passou de 378 para 1.276 easos, incluindo vítimas de ameaças de morte, homicídios, tentativas de assassinato, racis­mo, lesões corporais e violên­cias sexuais.

Na avaliação do filósofo Ro­berto Liebgott, um dos pesquisa­dores que trabalharam na conso­lidação dos dados reunidos por agentes do Cimi e na redação do texto final do relatório, a maior parte dos casos de violência en­volvem disputas fundiárias.

Ofensiva

“Está havendo uma ofensiva muito grande de seto­res ligados ao agronegócio contra os dintos indígenas”, disse ele ao Estado” ” O objetivo é pedir a demarcação das terras que eles reivindicam”. Os principais focos de conflitos, segundo Liebgott estão lo­calizados nas regiões Sul e Centro-Oeste. São áreas nas quais as demandas indígenas se arras­tam há muito tempo, o agronegócio está mais organizado e o preço das terras aumenta cada vez mais.

Na região da Amazônia, segundo o analista, as investidas contra os índios são feitas sobre­tudo por empresas madeireiras e mineradoras. aA maior parte das grandes reservas de madeira que ainda existem estão em áreas indígenas. A pressão é cada vez maior”, afirmou. “A expectativa de exploração mineral em terras indígenas também provocando um cerco cada vez maior aos grupos que vivem nessas áreas”

Morosidade

A violência é esti­mulada pela morosidade do go­verno na definição das demarca­ções. Essa morosidade, assina­lam os pesquisadores, se agra­vou no governo da presidente Dilma Rousseff.

O relatório aponta que do to­tal de 1.045 terras indígenas registradas no Pais, 339 (32%) ain­dia não tiveram nenhum tipo de providência. Por enquanto são apenas reivindicações indígenas. Outras 293 (28%) estão em estudo. Destas, 44 estão paradas no Palácio do Planalto, à es­pera de uma decisão da presidente.

O texto enfatiza, que o atual governo foi o que menos homo­logou terras indígenas no recente período de democratiza­! cão, com a média anual de cinco homologações. O governo federal tem que, urgentemente, saldar a dívida histórica com os povos indígenas”, disse Cieíber Buzatto, secretário executi­vo do Cimi, ao se referir às de­mandas por terras.

Na avaliação dele, a ausência de terras desestrutura a cultura indígena e está relacionada em grande parte ao aumento do número de casos de suicídio, No Mato Grosso do Sul, nove índios da etnia guarani se suicida­ram em 2012, de um total de 23 icasos registrados no Brasil O Estado nao conseguiu na noite de ontem localizar algum representante da Fundação Na­cional do índio (Funai), vincula­da ao Ministério da Justiça, pa­ra comentar o relatório.

Fonte: Roldão Arruda – Estado de São Paulo

Foto: Gustavo Lima / Agência Câmara