tecnologiameioambiente_dreasmtimeA cada dia, a inteligência artificial desenvolvida a partir de softwares criados para competir em jogos mostra novas possíveis aplicações. Recentemente, uma equipe da University of Southern California (USC), nos Estados Unidos, apresentou dois trabalhos que se apoiam na tecnologia para combater a caça e a exploração de madeira ilegais. Os estudos com aplicação prática contaram com a colaboração de especialistas de Singapura, Holanda e Malásia.

Em uma primeira ação, um aplicativo chamada PATAS (sigla em inglês para Assistente de Proteção para a Segurança da Vida Selvagem) foi adotado contra a caça ilegal em Uganda, em 2013, e na Malásia em 2014. A partir de dados coletados em anos anteriores, o programa passa a calcular em quais áreas os criminosos têm maior probabilidade de agir, fazendo com que as patrulhas sejam direcionadas a essas regiões. Quanto mais dados recebe, incluindo rotas naturais e a composição topográfica das áreas, mais eficiente o sistema se torna.

No ano passado, a tecnologia passou a ser utilizada por duas organizações não governamentais para proteger a vida selvagem em florestas da Malásia, aumentando o número de apreensões. “Há uma necessidade urgente de proteger os recursos naturais e a vida selvagem em nosso belo planeta, e os cientistas computacionais podem ajudar de várias maneiras”, disse Fei Fang, pesquisador do Departamento de Ciência da Computação da USC, ao apresentar resultados do trabalho em uma conferência sobre inteligência artificial em fevereiro passado. “Nosso trabalho aborda uma faceta do problema, melhorando a eficiência das patrulhas para combater a caça furtiva.”

Madagascar

Paralelamente ao trabalho coordenado por Fang, outros cientistas da USC desenvolvem métodos complementares para evitar a extração ilegal de madeira, um grande problema econômico e ambiental para muitos países em desenvolvimento. Em conjunto com as universidades do Texas e de Michigan, eles desenvolveram o SORT (sigla em inglês para Otimização Simultânea das Equipes e de Recursos).

Agindo de forma semelhante à do PATAS, esse sistema ajudou a combater a extração criminosa em Madagascar. “Nós comparamos o valor da utilização de uma equipe ideal determinado pelo nosso algoritmo versus uma equipe escolhida aleatoriamente, e o algoritmo fez significativamente melhor”, disse Sara McCarthy, aluna de ciência da computação na USC e uma das criadoras do programa. O algoritmo é simples e rápido, podendo ser adaptado para qualquer parque nacional.

“Há uma necessidade urgente de proteger os recursos naturais e a vida selvagem em nosso belo planeta, e os cientistas computacionais podem ajudar de várias maneiras”, Fei Fang, pesquisador da University of Southern California.

Fonte: Correio Braziliense

Imagem: Dreamstime