Para, Brazil. February 12, 2012. Construction of the Belo Monte Dam project, near Altamira. The Belo Monte Dam will be the third largest in the world, submerging 400,000 hectares and displacing 20,000 people. Approximate coordinates: -3.288696-51.895767. Photo by Daniel Beltra for Greenpeace

Photo by Daniel Beltra for Greenpeace

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, cobrou ontem transparência dos governos estaduais no combate ao desmatamento no país. Cabe aos estados, segundo uma lei sancionada há nove anos, autorizar a retirada da vegetação e o manejo florestal. No entanto, a compilação dos dados ainda é precária e não vem sendo devidamente divulgada para a União.

Estas informações são fundamentais para ampliar o conhecimento do governo federal sobre a devastação de florestas, especialmente na Amazônia. Em setembro, o Brasil se comprometeu a zerar o desmatamento ilegal até 2030.

– Se me derem condições, se todos os estados trabalharem com transparência sobre a (divulgação de informações da) supressão da vegetação, eu acabo com o desmatamento (ilegal) em 2020 – assegurou a ministra, no evento “União Europeia – Brasil: clima, somos todos responsáveis”, no Planetário do Rio. – Desenvolver uma economia florestal não é trivial. Restaurar uma área de 34 milhões de hectares, equivalente à metade da França, não é trivial.

Izabella ressaltou a necessidade de ter a taxa de desmatamento de todos os biomas. De acordo com a ministra, os estados precisam se engajar em modelos modernos para coleta de dados.

– Precisamos de meios para que funcione um compromisso político. Isso significa que os estados precisam de um modelo de gestão novo – ressaltou. – Estamos trabalhando com os governos do Mato Grosso e do Acre na criação de um projeto. Vamos financiar a sua organização. Se der certo, podemos expandi-lo para outros estados.

Ao comentar o corte de poluentes, a ministra lembrou que o Brasil assumiu suas metas sem contar com a possibilidade de receber financiamento de outras nações. O governo, assim, anda na contramão de outras nações emergentes. A maioria espera receber verbas do Fundo Verde, que obriga as potências mundiais a investirem US$ 100 bilhões por ano até 2020 em políticas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas nos países em desenvolvimento. Embora tenha sido criado há cinco anos, o fundo jamais chegou perto de ter a quantia prometida.

O comissário da União Europeia para o Clima e a Energia, Miguel Angel Cañete, assegurou ontem que o bloco está “seguindo o caminho”. Segundo ele, os países europeus abastecerão o cofre mundial com US$ 500 milhões, que serão aplicados principalmente em eficiência energética.

Fonte: O Globo

Foto: Daniel Beltra / Greenpeace