Com a presença de importantes chefes de cozinha que utilizam, cada vez mais, os produtos do Cerrado na culinária e de representantes da agroindústria, de agricultores e de extrativistas, terminou nesta sexta-feira (18) em Brasília, com uma grande manifestação de compromisso com a luta em defesa do bioma, o Seminário Bioma Cerrado – Normas de Conservação e Uso Sustentável, que reuniu renomados técnicos e pesquisadores brasileiros, parlamentares, órgãos governamentais e entidades ambientalistas.
O seminário de dois dias na Câmara dos Deputados foi promovido pela Frente Parlamentar Ambientalista, coordenada pelo deputado Sarney Filho (PV-MA), Comissão de Meio Ambiente da Câmara, SOS Mata Atlântica, WWF e Ecodata.
Proprietário de um dos mais conhecidos restaurantes de Brasília, Francisco Ansiliero, do Dom Francisco, falou de sua paixão pelo Cerrado e de sua permanente peregrinação pela CEASA, sempre em busca de novos produtos da região para usar em pratos especiais. “Morei antes na Amazônia, e sempre houve campanhas e leis voltadas para a proteção da floresta. Infelizmente, isso não ocorre com o Cerrado, que tem uma biodiversidade riquíssima”, lamentou.
Para ele, o uso de produtos do Cerrado pelos chefes de cozinha “é uma obrigação”, diante do processo de destruição acelerado da vegetação nativa, rica em alimentos e também em matéria prima para a produção de medicamentos.
Apaixonado pelo bioma, Clovis José de Almeida, conhecido como Cerradinho, falou de seu esforço para cultivar os frutos do Cerrado. “Mesmo sem estudo e de origem pobre, lutei muito, e hoje tenho a empresa Frutos do Brasil, que exporta para vários países”, afirmou.
“Vocês acham que os estrangeiros querem coca-cola e outros produtos artificiais? Não, eles querem consumir polpas sem agrotóxicos, e aqui no Cerrado temos todas as condições de fornecer produtos para estes mercados”, afirmou Almeida. Ele defendeu a necessidade de apoio aos pequenos agricultores e extrativistas da região para que possam produzir e ter acesso ao mercado.
O chefe do restaurante Cru, em Brasília, Lui Veronese, que trabalhou em premiados restaurantes europeus e recebeu prêmios no Brasil, também defendeu o compromisso de quem cuida da culinária com a proteção do meio ambiente.
“Podemos ser o elo da natureza com a comunidade, apresentando novos e deliciosos produtos, para que as pessoas possam dar valor a uma fruta como a cagaita, o cajú do cerrado e outros produtos nativos daqui. É uma forma de motivar e de mobilizar as pessoas em defesa do Cerrado”, afirmou.
Lui lembrou que chefes de Brasília têm realizado o Cerrado Week, quando podem ser degustados diversos pratos que valorizam os produtos da região.
Outro chefe, Dudu Camargo, disse que trabalha há 15 anos com alimentos e condimentos do bioma. Ele se queixou da dificuldade de ter acesso a determinados produtos. “É o caso do baru, citou, que é uma castanha de ótima qualidade. Usamos 300 quilos do produto por mês em nossos restaurantes, mas nem sempre é fácil consegui-lo. O preço também é alto: 60 reais o quilo”, afirmou.
Agroextrativismo do Cerrado
Donizete Tokarski, presidente do Conselho da Ecodata, convidou representantes de vários municípios goianos e das associações de produtores rurais para falarem dos seus projetos, experiências, sonhos e obstáculos relacionados com o agroextrativismo do cerrado.
Muitos dos projetos apresentados foram desenvolvidos com o apoio da Ecodata, em parceria com a Sudeco / Ministério da Integração, com o objetivo de fortalecer a cadeia de produtos do cerrado, promover acesso às linhas de crédito e ao fomento, e a articulação dos agroextrativistas para inserção dos produtos no mercado. Para Donizete, a apresentação desses projetos é fundamental para que as pessoas possam conhecer as diferentes práticas agroextrativistas realizadas no Cerrado e as necessidades para aprimorar a atividade, principalmente no que diz respeito à implementação de políticas públicas para o setor e de linhas de crédito para financiar os projetos.
Todos os convidados, ao falarem dos seus projetos e experiências, lamentaram a falta de políticas públicas para fomentar a produção de produtos nativos do Cerrado, como pequi e baru, entre outros produtos nativos da região, de modo que possam viabilizar o seu desenvolvimento e inserção do setor nos mercado de produção, consumo e investimento.
“O Cerrado nativo também representa a sobrevivência de extrativistas, indígenas, quilombolas e produtores familiares agroextrativistas, que têm no uso dos seus recursos a fonte da sua subsistência e geração de renda”, disse Donizete, ressaltando a importância e urgência da elaboração de ações de desenvolvimento econômico e inclusão produtiva, com vistas à superação das desigualdades regionais.
Ao encerrar o evento, a consultora da Câmara dos Deputados Roseli Senna afirmou que o objetivo do Seminário de dois dias foi alcançado. “Conseguimos ouvir especialistas, mas também trazer para o debate os diversos segmentos que utilizam os produtos do bioma e lutam pela proteção da vegetação nativa”, afirmou. “O objetivo é continuar promovendo debates e exposições para que pessoas saiam da alienação e se tornem defensores do nosso Cerrado”, concluiu.
Fonte: Assessoria de imprensa do deputado Sarney Filho/ Liderança do Partido Verde
Foto: www.cerratinga.org.br
