operacao-ambietalTrinta agentes chegaram escondidos em caminhão para flagrar grupo
Numa operação comandada pela Secretaria estadual do Ambiente, na manhã de ontem, 27 pessoas foram presas em flagrante trabalhando na extração ilegal de areia do Rio Guandu, em Seropédica. O grupo retirava o material com o auxílio de sete escavadeiras hidráulicas, seis balsas e 17 caminhões, que foram apreendidos pelos fiscais.
A ação mobilizou 30 agentes da Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca), da Polícia Militar Ambiental e do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). As equipes chegaram ao areai clandestino escondidas na caçamba de um caminhão. A estratégia adotada possibilitou o flagrante dos criminosos que, inclusive, usavam radiotransmissores para monitorar a aproximação de carros de órgãos de fiscalização.

PREJUÍZO A FONTES DE ÁGUA

Em nota, o coordenador da Cicca, coronel José Maurício Padrone, informou que as balsas ilegais estavam posicionadas a poucos quilômetros da Estação de Tratamento de Água (ETA) do Guandu.

“Em tempo de crise hídrica é um absurdo vermos uma prática criminosa desse porte, prejudicando uma das principais fontes de água da população fluminense”, disse Padrone na nota. Segundo o coronel, a “atividade de extração de areia é essencial para a construção civil, com grande importância econômica para o município de Seropédica;

MILÍCIA POR TRÁS DOS NEGÓCIOS

A areia é um valioso recurso natural usado pela construção civil, assim como a água, e sua extração ilegal provoca profundo impacto no meio ambiente. Na Zona Oeste, área onde ainda há abundância dessas matérias-primas, milicianos perceberam na mineração ilegal uma forma fácil de ganhar dinheiro.

Em 18 de julho do ano passado, no mesmo local da operação de ontem, a Cicca deteve sete pessoas que faziam a retirada da areia do Guandu. Foram apreendidos também seis caminhões e uma escavadeira hidráulica. O número de presos não foi maior porque olheiros, usando radiotransmissores, alertaram sobre a chegada da fiscalização.

Desta vez, a ação foi mais eficiente: no lugar de um helicóptero e dos veículos da Cicca, a fiscalização preferiu uma tática usada na Antiguidade, o “cavalo de troia”, na qual se penetra no espaço do inimigo de forma dissimulada.

porém, é necessário que seja realizada de forma sustentável, licenciada pelo Inea”

O coordenador da Cicca ressaltou que a extração de areia feita de forma ilegal promove o assoreamento, o que facilita a ocorrência de enchentes nas áreas próximas ao rio. Os detidos foram levados para a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e responderão por crime ambiental. Eles serão indiciados por lavra não autorizada (artigo 55 do Código Ambiental), com pena de até um ano, e por crime de usurpação de matéria-prima da União, que prevê até cinco anos de reclusão, além de multa, que varia de R$ 5 mil a R$ 1 milhão.

Fonte: O Globo

Foto: Divulgação