De janeiro a junho, a temperatura média do planeta foi 0,85°C mais elevada que a média para o período no século 20
Como que para não deixar mais dúvidas, o aquecimento global acaba de bater mais um recorde. Os seis primeiros meses deste ano foram os mais quentes desde 1880, quando teve início o registro histórico, o que coloca 2015 na trilha para também bater o recorde de ano mais quente da história. Os dados foram divulgados ontem pela Agência Nacional para Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (Noaa).
De janeiro a junho, a temperatura média da superfície da Terra e dos oceanos ficou o,85°C acimada média do período para o século 20, que foi de 15,5°C. O novo registro supera o recorde anterior para o primeiro semestre, de 2010.
As altas temperaturas seguem uma tendência que vem aparecendo em todo o século 21. Dos dez anos mais quentes da história, com exceção de 1998, todos estão nos anos 2000. O mais alto, até o momento, foi 2014, que teve temperatura global de 0,69°C amais que a média do século 20. E a expectativa, diante desses dados, é que 2015 supere essa marca.
A situação neste ano está sendo intensificada pela ocorrência do El Nino, fenômeno de aquecimento das águas equatoriais do Oceano Pacífico, que ganhou força nos últimos meses. “Se ele continuar se fortalecendo, parece quase certo que 2015 vai bater 2014 como o ano mais quente dos registros”, disse ao Estado Jessica Blunden, autora do relatório da Noaa.
“Nós estamos definitivamente vendo uma tendência de aumento das temperaturas (ano após ano). Na base de dados da Noaa, vemos que os recordes de meses com as mais altas temperaturas foram quebrados 26 vezes desde o início do século 21. Por outro lado, a última vez que um mês quebrou o recorde de menor temperatura foi dezembro de 1916.”
Junho de 2015 se enquadra no primeiro caso. O mês teve temperatura 0,88°C acima do padrão para o mês no século 20. Este foi o terceiro mês do ano a bater recordes. Os outros foram março e maio. O dado para junho foi observado também pelas medições da Nasa.
Ondas de calortêm sido experimentadas na Europa e na Ásia nas últimas semanas. Na França, as autoridades apontam para uma mortalidade superior às taxas médias para esses meses do ano e empresas em diversas partes autorizaram seus funcionários a abandonar gravatas e ternos. Em algumas partes do continente, os governos já começa a temer pela falta de água.
Na Suíça, o exército foi convocado a ajudar os criadores de gado a distribuir água aos animais. Pela primeira vez, o país registrou nove dias seguidos com temperaturas acima de 33°C. Alertas vermelhos ainda foram emitidos na Bósnia, Sérvia, Hungria e Croácia. Nos EUA, a onda de calor atinge diversas regiões.
As elevadas temperaturas também foram sentidas nospo-los. O gelo ártico ficou 7% abaixo da média registrada entre 1981 e 2010 e perto dos níveis mínimos, registrados em 2010. Em junho, a extensão do gelo foi a terceira menor desde 1979.
Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o País também tem experimentado temperaturas mais elevadas neste ano. A mé-dianacionaldas mínimasemju-nho, por exemplo, foi 1,7°C maior que a média histórica. A base de dados do Brasil é de 30 anos. E, em julho, os dados observados até ontem apontam para um aumento ainda maior, de 2,3°C. “Se não tivermos uma frente fria forte até o fim do mês, julho também ficará bem acima da média”, explica o cli-matologista Paulo Nobre.
Segundo ele, os sinais de El Nino mais visíveis, por enquanto, são as fortes chuvas no Sul do Brasil. “Mas podemos espe-rarque atéofim do ano, 2015vai quebrar vários recordes.
Fonte: O Estado de São Paulo
Foto: NASA’s Goddard Space Flight Center
