biodesmatamento, a caça ilegal, o tráfico de animais e plantas silvestres e o avanço das fronteiras agrícolas são alguns dos problemas ambientais que interferem diretamente na preservação dos biomas e na manutenção do clima em todo o planeta. No Brasil, país que possui a maior biodiversidade no mundo, esses fatores põem em risco a nossa fauna e flora, fazendo com que a lista de espécies ameaçadas de extinção não pare de crescer, gerando impactos negativos na qualidade dos recursos naturais. Ao longo dos anos, no entanto, os esforços empreendidos pelo poder público brasileiro e do resto do mundo mostraram-se insuficientes para combater os problemas ambientais, levando toda a sociedade a somar iniciativas para mitigar essas questões. No âmbito da iniciativa privada, uma ação que vem ganhando força e tem gerado retornos positivos para o meio ambiente e para todo o país são as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN)

Uma das principais categorias de unidade de conservação no Brasil, as RPPN’s são reservas criadas em terras privadas, em que os proprietários assumem o compromisso de preservar todo o bioma nativo do local. Atualmente, no país, elas já somam cerca de 2 mil unidades, que, juntas, chegam a manter intactos mais de 510 mil hectares- equivalente ao tamanho da cidade de Brasília – segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Minas Gerais é o estado com o maior número de reservas, totalizando 259, cenário que aponta que os mineiros estão atuando fortemente para reverter as estatísticas alarmantes da região. Segundo os dados da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Minas lidera o ranking do desmatamento da Mata Atlântica, com a cidade de Jequitinhonha, que devastou 8.685 hectares do bioma, no período entre 2012 e 2013, seguida por Águas Vermelhas, com 6.231 hectares. E os números ficam ainda piores: dos 10 municípios que mais desmataram a Mata Atlântica no Brasil, cinco ficam em Minas Gerais.

Mas quais são os principais benefícios da implantação das RPPN’s? A maioria das reservas que existe no Brasil fica próxima a áreas urbanas, incluindo as grandes metrópoles, cuja dinâmica de vida também é afetada pelo que acontece nas florestas. Além dos benefícios para a natureza, que ganha com a preservação do bioma nativo, as reservas particulares podem se tornar fonte de pesquisa e de atividades de ecoturismo, gerando emprego e renda para todo o entorno onde está inserida.

Outro aspecto importante é que essas reservas promovem a conectividade ambiental da paisagem com as áreas de preservação permanentes ou outras unidades de conservação por ventura existentes nesse entorno, formando corredores ecológicos que acabam preservando os recursos naturais em uma extensão cada vez maior. Um exemplo dessa aplicabilidade é a RPPN que está sendo proposta pela CSul, em seu projeto de desenvolvimento urbano, um dos maiores do país, situado na Centralidade Sul , Vetor Sul da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH),. A reserva, desenvolvida e fomentada pela CSul, compreenderá uma área de mais de 300 hectares na região da Serra da Moeda, o que equivale a 300 campos de futebol, e a proposta é que o local atraia turistas e estudantes de todas as regiões do país, principalmente de cidades como Nova Lima, Itabirito, Brumadinho, Ouro Preto e Mariana.

Envolver todos os agentes sociais na implementação, utilização, manutenção e fiscalização de unidades de conservação, incluindo as RPPN’s, é uma tarefa complexa e, ao mesmo tempo, emergencial, pois exige conscientizar e mobilizar os cidadãos, organizações e instituições públicas e privadas. No entanto, o primeiro passo é reconhecer a necessidade dessas iniciativas para garantir a conservação da biodiversidade, que vem resistindo há séculos de exploração ilegal e desenfreada. Vale ressaltar que, somente dessa forma, será possível perpetuar os bens naturais que ainda temos à nossa disposição e utilizá-los de forma sustentável e consciente.

Fonte : Estado de Minas (artigo)

Foto: meioligado.blogspot.com