Fenômeno estaria ligado a mudanças climáticas e pode ameaçar equilíbrio.
O aparecimento de grandes concentrações de algas na superfície do mar em Fernando de Noronha, no início desta semana, foi visto com preocupação por especialistas. O fenômeno, que moradores relataram jamais terem visto na região, pode estar associado a Mudanças Climáticas.
Uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que estava em expedição na região, coletou amostras das algas para investigar a origem. Segundo o professor do Centro de Ciências Biológicas da instituição, Paulo Horta, a expectativa é chegar a resultados conclusivos em até 15 dias:
— Queremos saber se esse material veio do mar do Caribe, onde é recorrente, ou se é fruto de uma Floração dessas algas na região. Nos dois casos, as mudanças no Clima podem estar por trás do ocorrido.
Horta explica que, nessa época, a superfície da água na região chega a 31°C, o que proporcionaria a explosão populacional dessa alga, do gênero Sargassum sp. Além disso, as alterações nas correntes oceânicas causadas pelas Mudanças Climáticas também podem ter feito com que elas se deslocassem até o Brasil.
Se a última hipótese for comprovada, há a possibilidade de que as algas tenham trazido lixo e espécies exóticas à região.
— Isso é péssimo, porque coloca em risco todo o equilíbrio preservado — avaliou Horta, comentando que as algas já deixaram de ser vistas na orla de Noronha, mas continuam a flutuar pelo mar, o que ainda é uma ameaça ecológica.
O engenheiro de aquicultura Eduardo Bastos, que participava da expedição, contou que um dos agrupamentos de algas tinha o tamanho de um campo de futebol e que os moradores estavam muito assustados:
— Eles temiam que a situação espantasse os turistas, já que parte do material chegou às praias e, quando começou a apodrecer, gerou mau cheiro.
O coordenador de proteção do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, Tadeu Oliveira, disse que equipes estão trabalhando para investigar a ocorrência:
— Coletamos amostras de algas, lixo e peixes. Impactos imediatos não foram observados. Estamos monitorando a área.
Fonte e foto: O Globo
