residuosRestos de tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento e argamassa são reutilizados na produção de concretos
Ao mesmo tempo em que é um dos setores mais importantes ao desenvolvimento econômico e social do País, a construção é também o que mais consome matérias-primas naturais e não renová- veis e, consequentemente, é o maior gerador de resíduos. E como há resoluções para que eles tenham destinação correta, o que tem um custo, quanto menos for produzido ou quanto mais for reaproveitado, melhor.”As inovações atuais são voltadas para a sustentabilidade da construção na fabricação de produtos que empregam materiais reciclados e que, ao serem produzidos, consomem menos energia”, destaca a coordenadora do curso de tecnologia em construção de edifícios e estradas da Faculdade de Tecnologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Rosa Cristina Cecche Lintz. “A aplicação desses itens no processo é tecnologia sustentável, que viabiliza economicamente, inclusive, a construção de unidades habitacionais de interesse social”, complementa o professor do curso Mauro Menzoni.

Rosa cita alguns exemplos de materiais reciclados que podem ser utilizados nas obras, a exemplo de miúdos e graúdos provenientes de resíduos da própria construção – como tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento, argamassa, peças pré-moldadas em concreto e tubos -, ou de outros segmentos – pneus inservíveis, rochas naturais, como mármore e granito, e lodo de esgoto. Tudo isso é geralmente coletado em canteiro de obras e, em seguida, transportado a empresas recicladoras, e vendido novamente ao próprio setor para serem utilizados na produção de concretos, tijolos, argamassas e base para pavimentos. A faculdade está, inclusive, estudando melhor aproveitamento desses itens.

“A inovação tecnológica viabiliza os custos e o tempo de execu- ção em qualquer área de atuação. Na construção civil ela é vital para o desenvolvimento, pois, em tempos difíceis, só viabiliza e progride quem inova”, assegura Menzoni. Ele conta que a Prefeitura de Limeira, no interior paulista, está organizando o seu Parque Tecnológico para abrigar micro, pequenas e médias empresas do ramo, oferecendo ajuda jurídica e tecnológica, em parceria com a Unicamp.

SOBE-E-DESCE

As inovações atuais são voltadas para a sustentabilidade da construção na fabricação de produtos que empregam materiais reciclados e que, ao serem produzidos, consomem menos energia

A construção é o setor que mais consome matérias-primas naturais e não renováveis e, consequentemente, é omaior gerador de resíduos

Gesso triturado para fazer bloco

Em Goiânia, a Universidade Federal de Goiás (UFG) reúne iniciativas que experimentam o uso de resíduos na confecção de obras ao reaproveitar materiais disponíveis no canteiro a custo zero. “É uma saída para reduzir os gastos da construção, já que as margens de lucro das empresas do setor estão cada vez menores (devido ao aumento dos custos de mão de obra, materiais e terreno)”, afirma Tatiana Amaral, professora da Escola de Engenharia Civil.

Um dos projetos propõe o uso de gesso triturado na composição de blocos de concreto sem prejudicar a qualidade deles. “O descarte do gesso tem um custo, e a sua incorporação reduz a utilização de areia e cimento, o que pode impactar no preço”, conta. “Está sendo estudada a quantidade que pode ser usada.”

Outra iniciativa é a incorporação de sacos de cimento e de cal, que seriam descartados, na composição da argamassa para assentamento. “Funcionam como uma fibra e, portanto, aumentam a resistência. Triturados no próprio canteiro com ferramenta com hélice capaz de cortar o papel, e adicionando água, é obtida polpa que pode substituir o aditivo, que custa caro.” São ações que não têm despesas e não precisam de equipamentos para serem realizadas, além de gerar economia, defende Tatiana. Ainda, contribuem para reduzir o consumo de água e energia. “O investimento na racionalização de processos usados na construção civil, e na implementação de métodos que otimizem a gestão dos recursos materiais e humanos, além de reduzir os desperdícios em todas as fase do empreendimento, sem dúvida é a maior tendência neste e nos próximos anos.”

Fonte: Brasil Econômico

Foto: eco4u.wordpress.com