O jornal-revista “Beira do Rio”, editado pela Universidade Federal do Pará, por meio de sua assessoria de comunicação, traz na sua edição mais recente, de janeiro e março de 2015, matéria sobre um assunto que ainda vai dar muito o que falar, agora e nos próximos anos, visto que ele já é, hoje, objeto de preocupação para a comunidade científica de todo o mundo.
Trata-se da presença, nas águas dos mananciais do Utinga que abastecem a Região Metropolitana de Belém – os lagos Bolonha e Água Preta –, de bactérias resistentes à ação de antibióticos, mesmo os de última geração.
A descoberta foi tornada pública no curso de estudo envolvendo coletas e análises realizadas por pesquisadores da UFPA. A coleta das amostras de água foi realizada em agosto do ano passado no lago Água Preta.
Pelo que está dito na matéria, as “superbactérias”, como são classificadas, conseguem sobreviver aos carbapenemos – antibióticos usados em hospitais para eliminar infecções avançadas e de último estágio.
“Existem surtos de superbactérias e não há nada que o médico possa fazer. Esses antibióticos, que são somente utilizados dentro de hospitais, são o último recurso que existe na medicina. Para alguns tipos de bactérias, porém, eles não têm sido eficazes’’, explica o professor Artur Luiz da Costa Silva, coordenador do Laboratório de Genômica da UFPA.
Artur Silva é um dos pesquisadores que estão à frente do estudo, promovido em parceria com o Programa Pesquisador Visitante Especial (PVE), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
A pesquisa em curso nos dois lagos que compõem o complexo hídrico do Utinga é intitulada “Ambientes naturais como reservatórios de resistência a antibióticos de último recurso”.
Segundo o coordenador do Laboratório de Genômica da UFPA, com o passar do tempo as “superbactérias” criaram resistência. “Esses microrganismos, que existem no Meio Ambiente, incorporam genes que oferecem resistência. Ela (bactéria) recebeu a doação de outro organismo, que possuía a mesma resistência e se tornou resistente também”, afirmou Artur Costa Silva. E acrescentou: “várias cópias desse gene se tornam super-resistentes. O que nós queremos é identificar e caracterizar quantas cópias do gene há dentro da bactéria para saber o grau de virulência’’.
Pelo fato de o ambiente que cerca os mananciais ser considerado de preservação ambiental, houve surpresa por parte dos pesquisadores quanto ao elevado índice de contaminação bacteriana. Uma das justificativas seria o despejo regular de resíduos pela população que reside no seu entorno.
“O que está havendo naquela área é uma ocupação desordenada, cheia de casas e pessoas que não deveriam estar ali”, afirmou o pesquisador, admitindo que a presença humana em área imprópria é possivelmente uma das causas do problema.
Na avaliação dos pesquisadores, se uma pessoa entrar em contato direto com a água dos mananciais certamente correrá o risco de se contaminar e ficar doente.
“As chances de vir a desenvolver doenças são muito grandes’’, declarou o coordenador do Laboratório de Genômica, advertindo que a infecção por bactéria se torna um problema muito sério se a pessoa tiver uma supressão imunológica.
Fonte e foto: Diário do Pará / PA
