rioguanduA seca no rio Paraíba do Sul, principal fonte de abastecimento do Estado do Rio de Janeiro, obrigou empresas a investir em alternativas emergenciais para manter as atividades sem risco no polo industrial de Santa Cruz, na zona oeste do Rio. Mesmo assim, a indústria fluminense trabalha com a possibilidade de um corte linear na oferta de água de até 30%. O setor tem sido afetado por restrições na captação de água dos rios.
Ontem, o governo do Rio comunicou às empresas CSA, Gerdau, FCC e Furnas, que têm operações na região, que irá reduzir ainda mais a vazão na foz do rio Guandu, o que praticamente inviabiliza a captação de água dessas empresas na forma como ocorre hoje. A medida é para garantir as condições técnicas necessárias para que a Cedae possa manter a captação para o sistema Guandu, que abastece a região metropolitana do Rio.

O que torna as condições para a Cedae e as empresas da região ainda mais críticas é a proposta Agência Nacional de Águas (ANA) de reduzir a vazão no rio Paraíba do Sul – na altura do reservatório de Santa Cecília – de 142 metros cúbicos por segundos, como vigora hoje, para 110 metros cúbicos por segundo, conforme a agência informou ao governo estadual ontem.

“O sistema de Guandu foi projetado para operar com vazão média de 250 metros cúbicos. Estamos trabalhando hoje com vazão de 140 metros cúbicos, mas 42 metros cúbicos descem para o Baixo Paraíba. A ANA manifestou esse desejo ontem, mas os técnicos nos alertaram que chegamos ao limite.

A Cedae não tem condições de operar com vazão inferior a 92 metros cúbicos”, resumiu o secretário do Ambiente, André Corrêa.

A alternativa oferecida pelo governo do Rio às empresas foi utilizar água descartada pela Cedae no processo de tratamento de água na estação de Guandu. Para isso, porém, elas terão que investir em uma adutora de 14 quilômetros, além do que já vinham planejando para se adaptar à crise hídrica.

A Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA) vai gastar U$ 6 milhões em um projeto para modificar o ponto de captação da água. O objetivo é contornar a língua salgada, fenômeno em que a água do mar invade o leito do Rio, e que faz com que a água captada seja tão salgada a ponto de ser inutilizada.

A obra deve demorar cinco meses. Já na FCC, segundo o coordenador de meio ambiente da empresa, Abílio Saia, a alternativa estudada é contratar água de uma linha de abastecimento da Cedae, em vez de fazer a retirada diretamente do Guandu. A operação torna a água 25 vezes mais cara.

Fonte: Valor Econômico

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