Altas temperaturas dos oceanos ajudaram a elevar a média global este ano e influenciaram em inundações e secas atípicas no mundo.
As altas temperaturas do oceano farão de 2014 o ano mais quente da história, ou pelo menos um dos mais quentes desde 1850, quando começaram os registros mais confiáveis. Isso evidencia uma tendência de longo prazo do Aquecimento Global, informou ontem a agência meteorológica da Organização das Nações Unidas (ONU).
Incluindo este ano, 14 dos 15 anos mais sufocantes no registro histórico pertencem ao século 21, disse a Organização Meteorológica Mundial (OMM), nas conclusões divulgadas na Cúpula do Clima de Lima, que reúne representantes de 190 países para debater as alterações climáticas.
“Não tem havido arrefecimento do Aquecimento Global”, disse o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud. “O que é particularmente incomum e alarmante este ano são as altas temperaturas de vastas áreas da superfície do oceano”, afirmou ele.
A média das temperaturas da superfície do mar bateram recordes em 2014, segundo a entidade. Em terra, houve alguns extremos como as inundações em Bangladesh e Grã-Bretanha, e secas severas no sul do Brasil, na China e nos Estados Unidos (no estado da Califórnia). Os fenômenos, aliás, se influenciam. “As altas temperaturas, juntamente com outros fatores, contribuíram para a ocorrência de chuvas excepcionais, para inundações em lugares e seca extrema em outros”, disse a OMM.
Brasil e países mais ao sul do continente americano sofreram muito com a onda de calor, sobretudo em outubro, ressaltou Jarraud. O caso do estado de São Paulo foi lembrado por ele como um sinal de alerta. ” São Paulo foi particularmente afetado por uma severa falta de água. Regiões do Nordeste e do centro do Brasil estão em um estado de seca severa com
déficit de água há mais de dois anos”, destacou a entidade.
A OMM analisou as temperaturas de janeiro a outubro e prevê que, se as temperaturas ficarem acima da média pelo resto de 2014, este será o ano mais quente já registrado,mais ainda do que o ano de 2010 (tido como o ano mais quente até hoje), e os de 2005 e 1998, que também sofreram com o calor. A temperatura global média do ar sobre a terra e superfície do mar no período avaliado foi de 0,57 graus acima da média histórica de 14°C. A marca ainda ficou 0,09°C acima do padrão da última década.
Os céticos que duvidam da culpa das ações homem quanto à mudança climática, costumam argumentar que as temperaturas não aumentaram muito desde 1998, apesar da alta nas emissões de gases de efeito estufa. Mas Christiana Figueres, chefe do Secretariado de Mudança Climática da ONU garante que “o clima está mudando e, todos os anos, os riscos de eventos climáticos extremos e impactos sobre a humanidade aumentam”.
Mesmo assim, Figueres diz haver sinais de mudanças por parte dos governos, que podem orientar o mundo para cortes profundos nas emissões de gases de efeito estufa. Desde 1990, este gases, principalmente dióxido de carbono (CO2), tiveram a emissão aumentada em 45%. As conversas em Lima vão até 12 de dezembro na tentativa de criar as bases de um acordo climático quedeveser formalizado naCon-ferência do Clima de Paris, no ano que vem.
Uma boa notícia, segundo a OMM, é que foram contadas apenas 72 tempestades tropicais até meados de novembro passado, contra uma média histórica de 89 eventos dessa natureza por ano. Redação com agências.
Em terra, houve extremos como as inundações em Bangladesh e Grã-Bretanha, além de secas severas no sul do Brasil, na China e nos Estados Unidos
Um “Everest de gelo” a cada dois anos
A taxa de derretimento das geleiras de uma região da Antártida Ocidental triplicou durante a última década, aponta um estudo feito ao longo dos últimos 21 anos. As geleiras no Mar de Amundsen, perderam gelo mais rápido do que qualquer outra parte do continente gelado. Esta é a principal razão para o aumento do nível dos oceanos, dizem os pesquisadores, da Universidade da Califórnia e do Jet Propulsion Laboratory (JPL), da NASA.
Dois estudos realizados em maio passado concluíram que o derretimento na região, que contêm gelo suficiente para elevar o nível do oceano em um metro, acelera o Aquecimento Global, um efeito que parece irreversível.
Desde 1992, a média do volume de gelo perdido é de 83 bilhões de toneladas anuais. Em comparação, as geleiras da Antártida derreteram o equivalente a um Monte Everest a cada dois anos durante os últimos 21 anos. O Everest pesa 161 bilhões de toneladas.
Fonte: Brasil Econômico
Foto: revistaautoesporte.globo.com
