O município gaúcho de Candiota, localizado a 400 km de Porto Alegre, poderá ganhar duas novas térmicas a carvão nos próximos anos. Um dos projetos, da catarinense Tractebel Energia, teve o edital de aceite tornado público e o estudo de viabilidade ambiental disponibilizado no início de agosto pelo Ibama, e demandará investimentos de R$ 1,8 bilhão. O projeto tem capacidade instalada de 340 MW – com capacidade de dobrar a potência instalada para 680 MW.
Apesar de a empresa não confirmar presença no leilão A-5, a usina a carvão, batizada de Pampa Sul, deverá ser um dos dez projetos a participar da disputa, reprogramada para 28 de novembro, quando serão ofertados contratos de energia de projetos que ficarão prontos em 2019. Além do projeto da Tractebel, estão previstos empreendimentos de outras duas térmicas no Rio Grande do Sul – além de Candiota, no município de Cachoeira do Sul -, que já haviam sido cadastrados em leilão realizado no ano passado – a primeira vez em cinco anos que projetos de térmicas a carvão participaram de leilões, quando houve desistência, uma vez que os consórcios consideraram o preço-teto do MW/hora muito baixo.
No total, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), foram inscritos projetos com capacidade instalada somada de 4.490 MW, em Alagoas (2), Pará, Amapá, Paraíba (2), Rio Grande do Sul (3) e Santa Catarina. Sairão da gaveta? “Acho difícil que os projetos saiam do papel, por várias razões. A termelétrica a carvão é menos rentável e competitiva em relação a outras fontes por algumas particularidades, como o custo dos equipamentos, que são importados. O projeto do investidor acaba encarecendo pelo custo da tecnologia. Além disso, se olharmos o novo plano decenal de energia, vemos que por mais que esteja previsto quintuplicar o crescimento das térmicas, em base relativa, o carvão diminui de tamanho”, avalia Mário Lima, diretor de consultoria em sustentabilidade da EY.
De fato, o “Plano Decenal de Expansão de Energia 2013” do Ministério de Minas e Energia, que traz perspectivas de oferta e demanda de energia na próxima década, mostra estabilidade na capacidade instalada de geração de energia a partir do carvão mineral e seus derivados na matriz energética. Em termos relativos, há perda de participação. Isso mostra que ainda que as térmicas continuem sendo encaradas como uma espécie de “backup” para a geração de energia a ser utilizada como fonte complementar nos períodos de seca, há preferência do governo por fontes consideradas mais limpas – como a biomassa.
O ceticismo sobre a viabilidade dos novos projetos de usinas a carvão ocorre, também, porque dentre todas as bases energéticas o carvão é um dos combustíveis mais poluentes. Não por acaso, a volta dos projetos de usinas a carvão aos leilões de energia foi duramente criticada por ambientalistas. “Existe um compromisso de o Brasil não sujar sua matriz energética. O país liderou a apresentação na COP15 de redução de emissões (de CO2) de forma voluntária até 2020 e precisa honrar seus compromissos”, diz Lima.
Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), existem atualmente 13 usinas a carvão em operação no país, com uma capacidade instalada de 3,1 GW.
Fonte: Valor Econômico
Foto: salveoplanetaurgente.blogspot.com
