Indigena-satere-mawe-essencial-Produto-comercializado_ACRIMA20110118_0040_13Há seis anos, Leônidas Farias preside a Organização das Associações da Reserva Tapajós-Arapiuns (Tapajoara) – em referência aos rios que banham a reserva – e se prepara para uma provável reeleição do cargo. Ele tem ciência da quantidade de trabalho que encontrará pela frente nessa área criada há 16 anos, que abrange 677 mil hectares, 73 comunidades (20 mil habitantes ao todo) e está situada entre os municípios de Santarém e Aveiro (PA). Mas na sua avaliação, nenhum é tão mais importante quanto preparar os jovens para o processo de sucessão nas lideranças da reserva. “É garantir a continuidade de muitas conquistas”, afirma. E segundo Farias, elas não são poucas ao considerar que a reserva é a mais populosa de todas da Amazônia e com comunidades geograficamente distantes. A mais próxima de Santarém fica a duas horas de barco e a mais distante requer quase um dia inteiro (20 horas) de viagem.

A Tapajós- Arapiuns se uniu a uma rede de parceiras que garantem postos de saúde em comunidades maiores e “barcos de saúde” que trafegam pelos rios Tapajós e Arapiuns para atender as mais distantes. Conseguiu implantar saneamento básico, água potável por meio de poços artesianos – antigamente o acesso à água só ocorria por meio de rios e igarapés – escolas de ensino fundamental e médio, e cursos técnicos de extensão rural que Farias considera uma preciosidade. “Por meio deles, o profissional vai levar técnicas de manejos agroflorestais (sistema de produção em consórcio com a floresta), agricultura orgânica, criações de pequenos animais, como aves e suínos, para garantir as necessidades dos extrativistas”, diz.

“O desafio dos sucessores é viabilizar esse modelo sustentável que foi traçado para as reservas extrativistas”, diz Fábio Penha, coordenador de comunicação e educação do Projeto Saúde Alegria, que atua no Pará desde a década de 80. A instituição conhecida pelos programas ligados à saúde e educação também se dedica a um projeto de empreendedorismo juvenil. “Existe um grande potencial para a produção de borracha, sementes, óleos e essências”, avalia. Para ele, a nova geração precisa mudar a lógica do extrativismo voltado apenas para a subsistência.

Mas para conseguir esse feito é preciso que essas áreas se tornem visíveis aos olhos do país. É o que vem tentando fazer os moradores da reserva Riozinho do Anfrísio, situada na Terra do Meio – área encravada no Pará e que recebe esse nome porque fica entrincheirada entre os rios Xingu e Iriri – nos últimos cinco anos. Conforme Marcelo Salazar, coordenador do escritório de Altamira (PA) do Instituto Socioambiental (ISA), a reserva conseguiu nesse período a instalação de escolas, uma unidade básica de saúde e o envolvimento dos jovens na gestão da reserva. Os produtos coletados para comércio nessas áreas são a castanha-do-brasil e o óleo das árvores copaíba e andiroba.

A história da Riozinho do Anfrísio não é feita só de superação. Criada pelo governo federal há dez anos, a área enfrentou inicialmente a invasão acentuada de madeireiros. “Há uma pressão sobre a área quando existem empreendimentos de grande porte [ele se refere à construção da usina hidrelétrica de Belo Monte] ou o avanço da agropecuária”, comenta o coordenador que há oito anos trabalha na Riozinho do Anfrísio.

Fonte: Valor Econômico

Foto: acritica.uol.com.br