Foi desarticulada ontem uma quadrilha de grileiros considerada a maior desmatadora da floresta Amazônica no Brasil de todos os tempos.
Durante os oito meses de investigação, o grupo causou um dano ambiental superior a R$ 500 milhões, na cidade de Novo Progresso, no sudoeste do Pará. Um contingente de mais de 100 pessoas, entre policiais federais e agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (IBAMA), prendeu seis pessoas no Pará e trabalha na execução de oito mandados de prisão e 22 de busca e apreensão em São Paulo, no Paraná e em Mato Grosso.
“Para fugir da fiscalização, eles se especializaram em abrir as áreas quando os satélites não conseguiam ‘enxergar’, por causa da cobertura de nuvens”, explica o procurador do Ministério Público Federal do Pará, Daniel Azeredo Avelino. O grupo também desmatava por meio de incêndios florestais. “Foi o grupo que mais desmatou a Amazônia”, ressalta o diretor do setor de Proteção Ambiental do IBAMA, Luciano Evaristo. “Eles queimavam, plantavam capim e preparavam para a soja. Depois, vendiam para empresários, sobretudo, do Sul e do Sudeste. A quebra do sigilo bancário revelou terras que eram vendidas a R$ 10 milhões”, revela o delegado da PF no Pará, Raimundo Benassuly.
Uma das estratégias do grupo era acompanhar o Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter), do governo federal. Após incendiar uma área, os criminosos fugiam assim que o foco de fumaça era detectado pelo Deter — cujos dados são públicos. Quando a fiscalização chegava, eles já estavam longe. O grupo grilava inclusive terras de unidades de conservação, apostando na posterior redução das áreas protegidas e legitimação da invasão. Os criminosos serão indiciados por invasão de terras públicas, furto, sonegação fiscal, crimes ambientais, falsificação de documentos, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem superar os 50 anos de cadeia.
Fonte: Correio Braziliense
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